Faz alguns dias que estou na minha. Estou tão na minha que nem aqui tenho aparecido, nem aqui tenho escrito. Estou em recesso…
Uns poucos dias, é verdade, mas estou bem assim.
Sinto-me com preguiça para futilidades, com preguiça para politicagem, com preguiça para sorrisinhos. Sinto-me com preguiça para discussões, preguiça para briguinhas, preguiça para bobagens.
O encontro comigo mesma e com o silêncio me revela muito. É bom ficar sozinha. Eu gosto! De vez em quando eu até prefiro. Sempre fui uma filha única bastante independente.
Não vou dizer que eu esteja de “saco cheio de tudo”. Longe disso. Muito longe disso!
De algumas coisas, até estou, mas às vezes isso até pode ser bom, porque me faz parar e reavaliar muitos dos meus objetivos na vida.
Quando você desacelera a euforia, tudo fica mais claro. Estou observando alguns detalhes novos. Se eles são bons? Ainda não sei. Tenho visto algumas máscaras flutuando. Eu as compreendo, mas não quero usá-las também. Reclusa para balanço.
Tenho aproveitado meu tempo livre para organizar minha vida. Arrumo meus armários, limpo minhas gavetas, descarto algumas tranqueiras. E o engraçado é que, junto com as tralhas, me liberto também de alguns valores antigos. As coisas mudam. Há que se criar espaço na vida para novas e boas emoções. Retratos antigos de pessoas queridas repousam em caixinhas coloridas, com carinho. Anotações em pedaços de papel, agora sem sentido, são picotados e seguem para a reciclagem. Roupas que já não uso tomam outro destino. Não importa se não gosto mais delas, se não me servem mais. Vão agasalhar novos corpos sendo testemunhas de novas histórias. Merecem agora a chance de continuarem a existir além do espaço escuro de um armário. A vida segue.
Quando saio do trabalho agora, deixo todos os problemas dele ali. Não tenho levado nada nem mesmo até o estacionamento. Quero entrar no meu carro mais leve, com aquela sensação de missão cumprida e ponto.
No caminho, tenho relevado todos os problemas do trânsito. Não vale mesmo a pena reclamar daquilo que não posso mudar e se tenho que passar por aquilo, que eu faça cantando. Sim, porque nestes dias, só a música me acompanha. Nem mesmo as notícias entram pelo meu mundo. No carro, não! Quero um pouco de paz e serenidade.
Quando chego em casa, um afago mais demorado na minha cadela que me recebe feliz, uma bate-papo mais demorado na cozinha com os homens da minha vida. Eu não quero acompanhar a nova novela… Quero acompanhar a minha vida mais de perto. Ter mais tempo pra mim, para os meus. Em dias assim, o simples prazer de jogar a bolinha inúmeras vezes seguidas para a minha cadela se transforma num dos melhores programas.
Coisas boas e simples que temos na vida. Coisas que devemos dar mais valor.
Semana passada chegou em casa uma nova e grande cama. E um maravilhoso colchão novo também! Que delícia! Estamos dormindo melhor e mais felizes. Eu sempre achei e reafirmo: sapatos, travesseiros e colchões são muito importantes. Precisam ser bons e confortáveis. A partir deles a vida fica mesmo melhor. Ou não. Invista nisso! Sapato apertado, cama pequena ou barulhenta, travesseiro ruim… nada pior.
Meu próximo passo será me aproximar daqueles queridos de que tenho saudades. Amigos que adoro e que vejo pouco, amigos que vejo mas não tenho tempo para dispensar…
Nem tudo pode ser perfeito, mas a vida deve ser vivida da melhor maneira possível, não é mesmo? Preciso fazer a minha parte. Talvez eu ainda continue quietinha por um tempo. Dentro de mim…mas muito bem, obrigada. Quando eu voltar, serei uma pessoa melhor, mais arrumada, organizada e feliz. Que assim seja!
Sempre tive um certo carinho pelas bruxas. Mesmo quando era criança.





